sábado, 30 de julho de 2011

AS BRUXAS DE MINHA INFÂNCIA


Revejo minha vida e meus sonhos... lembro de minha infância e deixo escapar um suspiro de muitos, que virou chavão: "Eu era feliz e não sabia..." Sim era feliz, mas ansiava por mais que além daqueles campos verdes em que podia correr com liberdade sem me preocupar com nada além de contos de fadas recheados de bruxas e faz-de-conta! Banhos em rios e açudes da fazenda em que morava, não me apavorava mais que ao medo do caboclo d'água ou Iara a surgir de repente... Mas cresci, (na verdade amadureci, não cresci tanto assim!) e no decorrer da vida casei e virei mãe (não necessariamente nessa ordem rsrs)... Olho a vida de brincadeiras limitadas de meus filhos e, num suspiro, até com certa nostalgia chego a entender porque sinto saudades das bruxas de minha infância. Engraçado né, ter saudade de bruxas? mas é verdade sim! Quando ouço o noticiário e vejo que crianças como eles não podem se abandonar em frente às suas casas, correr entre o mata-pasto com seus amigos brincantes sem correr o risco de deixar uma sombra de sua existência, ceifados por bruxas (e bruxos) modernos que não assustam apenas, mas acabam com a liberdade que outrora minha geração tinha, de correr livre em sua rua, andar de mãos dadas com o coleguinha, sorrir o sorriso da inocência sem se limitar entre quatro paredes sem nem saber porque se escondem... Quisera eu que meus filhos tivessem a liberdade que tive, sem medo de pedófilos, motoristas bêbados e outras "bruxas" atuais que levam criancinhas e nunca mais devolvem aos braços daqueles pais desesparados... Quisera eu que vivenciassem o medo apenas das BRUXAS DA MINHA INFÂNCIA, que se limitavam aos livros de contos-de-fadas e todos tinham sempre um final feliz.

By Eliete Magalhães

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